Elimine as suas dúvidas compreendendo Fé e Certeza

Elimine as suas dúvidas compreendendo Fé e Certeza

Junho 21, 2018 1 Por Capita

A Fé

Fé, no Latim Fide, é a adesão de forma incondicional a uma hipótese que a pessoa passa a considerar como sendo uma verdade sem qualquer tipo de prova ou critério objetivo de verificação, pela absoluta confiança que se deposita nesta ideia ou fonte de transmissão.

A fé acompanha absoluta abstinência de dúvida pelo antagonismo inerente à natureza destes fenômenos psicológicos e da lógica conceitual. Ou seja, é impossível duvidar e ter fé ao mesmo tempo. A expressão se relaciona semanticamente com os verbos crer, acreditar, confiar e apostar, embora estes três últimos não necessariamente exprimam o sentimento de fé, posto que podem embutir dúvida parcial como reconhecimento de um possível engano.

A relação da fé com os outros verbos, consiste em nutrir um sentimento de afeição, ou até mesmo amor, por uma hipótese a qual se acredita, ou confia, ou aposta ser verdade.

Portanto, se uma pessoa acredita, confia ou aposta em algo, não significa necessariamente que ela tenha fé.

Diante dessas considerações, embora não se observe oposição entre crença e racionalidade, como muitos parecem pensar, deve-se atentar para o fato de que tal oposição é real no caso da fé, principalmente no que diz respeito às suas implicações no processo de aquisição de conhecimento, que pode ser resumida à oposição direta à dúvida e ao importante papel que essa última desempenha na aprendizagem. É possível nutrir um sentimento de fé em relação a uma pessoa, um objeto inanimado, uma ideologia, um pensamento filosófico, um sistema qualquer, um conjunto de regras, um paradigma popular social e historicamente instituído, uma base de propostas ou dogmas de uma determinada religião. Tal sentimento não se sustenta em evidências, provas ou entendimento racional (ainda que este último critério seja amplamente discutido dentro da epistemologia e possa se refletir em sofismos ou falácias que o justifiquem de modo ilusório) e, portanto, alegações baseadas em fé não são reconhecidas pela comunidade científica como parâmetro legítimo de reconhecimento ou avaliação da verdade de um postulado.

É geralmente associada a experiências pessoais e herança cultural podendo ser compartilhada com outros através de relatos, principalmente (mas não exclusivamente) no contexto religioso, e usada frequentemente como justificativa para a própria crença em que se tem fé, o que caracteriza raciocínio circular. A fé se manifesta de várias maneiras e pode estar vinculada a questões emocionais (tais como reconforto em momentos de aflição desprovidos de sinais de futura melhora, relacionando-se com esperança) e a motivos considerados moralmente nobres ou estritamente pessoais e egoístas. Pode estar direcionada a alguma razão específica (que a justifique) ou mesmo existir sem razão definida. E, como mencionado anteriormente, também não carece absolutamente de qualquer tipo de argumento racional.

Fé em Deus

Algumas vezes, fé pode significar acreditar na existência de Deus. Para pessoas nesta categoria, “Fé em Deus” simplesmente significa “crença de alguém em Deus”.

Muitos Hindus, Judeus, Cristãos e Muçulmanos alegam existir evidência histórica da existência de Deus e sua interação com seres humanos. No entanto, uma parte da comunidade de historiadores e especialistas discorda de tais evidências. Segundo eles, não há necessidade de fé em Deus no sentido de crer contra ou a despeito das evidências; eles alegam que as evidências naturais são suficientes para demonstrar que Deus certamente existe, e que credos particulares, sobre quem ou o quê Deus é e por que se deve acreditar nele são justificados pela ciência ou pela lógica. Em uma perspetiva cristã protestante, foi no sentido definido pela primeira alegação citada que se desenvolveu, segundo seus autores, a proposta do design inteligente. Críticos, contudo, afirmam que este desenvolveu-se objetivando apoiar ambas as alegações.

Consequentemente, a maioria acredita ter fé em um sistema de crença que é, de algum modo, falso, e tem dificuldade em ao menos descrevê-lo. Isso é disputado, embora, por algumas tradições religiosas, especialmente o hinduísmo, que sustenta a visão de que diversas “fés” diferentes são só aspetos da verdade final que diversas religiões têm dificuldade de descrever e entender. Essa tradição diz que toda aparente contradição será entendida uma vez que a pessoa tenha uma experiência do conceito Hindu de moksha.

Para a ciência, embora o então defendido credo e não necessariamente fé em Deus (ou outra deidade) possa vir a mostrar-se plenamente compatível com as evidências encontradas no mundo natural, tais evidências não são suficientes para garantir ou mesmo implicar a hipótese de Sua(s) existência(s) como certa. A definição mais difundida de Deus, aos olhos da ciência, faz-se por sentença constitutiva notoriamente e certamente não testável frente aos fatos naturais; e por tal é com elas sempre compatível, seja qual for a evidência ou fenômeno, dadas a onipotência e transcendência de Deus em sua definição tradicional. A não falseabilidade ou não testabilidade atreladas às definições de Deus (e demais deidades) bem como aos fenômenos sobrenaturais, não obstante justapostas às transcendências postuladas de tais seres ou eventos causais, são responsáveis pelos Deus(es), deidades ou causas sobrenaturais não figurarem como elementos ou hipóteses válidas no escopo científico propriamente dito. A ciência segue, em decorrência, o método científico e o naturalismo metodológico. E nesses termos, design inteligente não é ciência; e Deus encontra suporte apenas na fé.

Finalmente, alguns religiosos – e muitos dos seus críticos -, frequentemente, usam o termo “fé” como afirmação da crença sem alguma prova, e até mesmo apesar de evidências do contrário. Muitos judeus, cristãos e muçulmanos admitem que pode ser confiável o que quer que as evidências particulares ou a razão possam dizer da existência de Deus, mas que não é essa a base final e única de suas crenças. Assim, nesse sentido, “fé” pode ser: acreditar sem evidências ou argumentos lógicos, algumas vezes chamada de “fé implícita”. Outra forma desse tipo de fé é o fideísmo: acreditar-se na existência de Deus, mas não se deve basear essa crença em outras crenças; deve-se, ao invés, aceitar isso sem nenhuma razão. Fé, nesse sentido, simplesmente a sinceridade na fé, crença nas bases da crença, frequentemente é associado com Soren Kierkegaard e alguns outros existencialistas, religiosos e pensadores. William Sloane Coffin fala que fé não é aceita sem prova, mas confiável sem reserva

A Certeza

Um argumento é uma certeza se, e somente se, a hipótese das premissas do argumento se tornou uma verdade, depois da conclusão provada. Veja este exemplo:

Sem olhar, Emanuel tirou 100 bolinhas de um saco de 100. Das bolinhas que Emanuel tirou 100 eram vermelhas.

Emanuel colocou todas as bolinhas de volta no saco.

Portanto, a próxima bola que Emanuel puxar para fora da bolsa será vermelha.

A premissa da hipótese tornou-se, realmente, uma conclusão provada. Portanto, esse argumento é uma certeza.

Certeza na psicologia

Certeza é uma condição psicológica, ou estado mental, de que as coisas são tais quais o indivíduo as concebe, ou ainda de estar na posse da verdade. Em outras palavras, caracteriza-se pela absoluta adesão a uma ideia, opinião ou fato, desconsiderando qualquer possibilidade de erro ou equívoco, sendo logo, um antagonismo à dúvida.

Certeza na ciência

Certeza na metodologia científica é um conceito que designa comprovação ou confirmação, com uso do raciocínio lógico (método matemático) e do sistema de verificação empírica com evidências físicas.

Pode-se “ter certeza” de uma ideia quando baseada em experiências e métodos reconhecidos pela comunidade científica, sendo estes nomeados como o Método científico. Nesse sentido, é geralmente associada ao contexto científico de forma democrática, ou seja, dependente do trabalho intelectual e consenso de uma maioria de cientistas que avaliará e determinará a legitimidade e imparcialidade dos estudos, outorgando o status de comprovação científica e tendo sempre por base sistemas minuciosos de mensuração. Para a ciência a certeza é resultante apenas de conclusões obtidas a partir do estudo sistemático e controlado dos fenômenos investigados.

Entretanto, no meio científico, a certeza absoluta não existe, pois se reconhece diferentes níveis de incerteza em todas as observações e medições até então estabelecidas, dada a complexidade dos fenômenos a que se propõe o estudo, sendo estes constituídos, na maioria das vezes, por conjuntos co dependentes de variáveis interventivas e intervenientes. Logo, com o reconhecimento que não existem de certezas incontestáveis, visto que elas podem ser corrigidas, aprimoradas ou abandonadas ao longo do tempo. Tal processo se dá em função da descoberta de novas evidências, caracterizando um sistema de replicabilidade e refutabilidade.

Na filosofia de René Descartes a certeza é o critério da verdade.

Certeza absoluta

Um argumento é uma certeza absoluta se, e somente se, a hipótese de todas as infinitas premissas do argumento, mesmo aquelas ocultas, se tornasse uma verdade, depois da conclusão provada. Veja este exemplo:

Sem olhar, Emanuel tirou 100 bolinhas de um saco de 100. Das bolinhas que Emanuel tirou 100 eram vermelhas.

Emanuel colocou todas as bolinhas de volta no saco.

Portanto, a próxima bola que Emanuel puxar para fora da bolsa será vermelha.

A premissa da hipótese tornou-se, realmente, uma conclusão provada. Portanto, esse argumento é uma certeza. Mas não é uma certeza absoluta, pois Emanuel não observou todas as características das bolinhas para constatar que todas as premissas desconhecidas foram satisfeitas. As características ocultas são:

  • 25 bolinhas estão pintadas com uma tinta com características similares a da pedra Alexandrita que muda de cor conforme o tipo de iluminação. Quando estão sob a luz do Sol a cor delas é vermelha, mas quando é noite sob a luz de lâmpada incandescente elas são de cor verde.

  • Outras 25 bolinhas estão pintadas com uma tinta sensível a temperatura. Quando a temperatura ambiente esta acima de 17° Celsius, elas são de cor vermelha. Quando a temperatura ambiente esta abaixo de 17° Celsius, elas são de cor azul.

  • Outras 25 bolinhas estão pintadas com uma tinta sensível a umidade relativa do ar. Quando a umidade esta acima de 30%, elas são vermelhas. Mas quando a umidade esta abaixo de 30% elas são de cor amarela.

  • As últimas 25 bolinhas são pintadas com uma tinta sensível ao Tempo. Hoje elas são vermelhas, mas a passagem do tempo ira fazer elas mudarem para a cor branca em três meses.

Quando Emanuel tirou as 100 bolinhas do saco pela primeira vez, foi há seis meses, numa temperatura de 25° Celsius, numa umidade relativa do ar de 40%, durante o dia, sob o Sol. Então, Emanuel colocou todas as bolinhas de volta no saco, e teve a certeza de que a próxima bolinha que tiraria do saco seria vermelha.

Mas ele aguardou até hoje para tirar a próxima bolinha. No entanto, hoje, a temperatura é de 10° Celsius, a umidade relativa do ar de 25%, agora é noite e está sob a luz de uma lâmpada incandescente.

Quando Emanuel tirar a próxima bolinha de saco, terá uma surpresa, pois sua certeza foi destruída por premissas ocultas que ele desconhecia, e ele não vai tirar uma bolinha vermelha do saco.

Pode-se concluir com o exemplo que qualquer argumento pode ter um número indeterminado ou até infinito de premissas ocultas, podendo mudar um argumento que era uma certeza, para uma convicção ou até para algo equivocado.

O exemplo acima mostra a razão pela qual, na ciência, não existe certeza absoluta, pois sempre existe algum grau de incerteza em todas as observações e medições. Não existem certezas incontestáveis, elas podem ser corrigidas, aprimoradas e abandonadas ao longo dos tempos. Isso é conseguido através de mais evidências, que tornam a certeza uma verdade.